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Biografia

            Lucílio de Albuquerque nasceu a 09 de maio de 1877, na vila de Barras de Maratoã – atual município de Barras –, no Piauí. Filho de Filomena Figueiredo de Albuquerque e do Desembargador Alcebíades Dracon de Albuquerque Lima, foi inicialmente encaminhado pela família para seguir a carreira profissional paterna. Em virtude disto, iniciou seus estudos em Recife (PE) e seguiu para São Paulo (SP), onde começou o curso de Direito na Faculdade de Direito de São Paulo – incorporada posteriormente à Universidade de São Paulo (USP). É neste momento que os sentimentos e dotes artísticos afloram, o que provocou a sua mudança para o Rio de Janeiro (RJ), onde, em 1896, se matriculou como aluno livre da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) – atual Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

 

 

 

Já em 1901, Lucílio de Albuquerque passou para o curso regular da ENBA, tendo como mestres João Zeferino da Costa, Rodolpho Amoedo (pintura), Henrique Bernardelli e François-Marie Daniel Bérard (desenho) – nomes de excelência à época. Após obter menções honrosas e medalhas de ouro e prata durante o curso, foi agraciado, ao concluí-lo em 1906, com o prêmio de viagem à Europa por cinco anos, conquistado com a composição “Anchieta escrevendo o poema à Virgem”. Antes de partir, casou-se em 31 de março do mesmo ano com a paulista Georgina de Moura Andrade, sua colega na ENBA. 

 

 

 

 

Chegaram juntos em Paris (França) ainda em 1906, inscrevendo-se ele na Académie [Academia] Julian – estabelecimento privado de prestígio similar àquele da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes]. Seu aperfeiçoamento técnico desenrolou-se com Marcel-André Baschet, Henri Royer e Jean-Paul Laurens. Frequentou também o ateliê de Eugène Grasset, mestre do Art Nouveau. Assimilando características do Impressionismo e do Simbolismo, Lucílio de Albuquerque expôs, por quatro anos consecutivos, no Salon des Artistes Français [Salão dos Artistas Franceses]: “A la campagne” [“No campo”] (1908), “Agnus Dei” (1909), “Rapariga do Minho” (1910) e “Sono” (1911). Ainda em 1911, expôs no Salon Internationel de Bruxelles [Salão Internacional de Bruxelas (Bélgica)] dois quadros: “Despertar de Ícaro” – homenagem a Santos Dumont muito apreciada pelo público e pela crítica – e “A flor e o regato” – inspirado num poema de Gonçalves Dias. Neste ínterim, trabalhou projetando os vitrais do Pavilhão Brasileiro da Exposição Internacional de Turim (Itália), ocorrida no mesmo ano, representando a constelação do Cruzeiro do Sul. Pintou, enquanto esteve na França, as telas “Morte de Anchieta” e “Dante no inferno”.

 

 

 

 

De volta ao Brasil, realizou exposição na ENBA com os trabalhos apresentados anteriormente na Europa. Devido ao falecimento de Daniel Bérard, Lucílio de Albuquerque foi nomeado professor temporário de desenho figurado da mesma instituição. Em 1912, obteve a pequena medalha de ouro no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes com o quadro “Despertar de Ícaro”. No ano seguinte, designado membro da comissão organizadora deste evento, criou as “horas de arte”, no sentido de aliar a poesia, a eloquência e a música às artes plásticas.

 

 

 

 

Tornou-se mestre na pintura histórica, traçando retratos de estadistas e militares. Após expor em Porto Alegre (RS), em 1914, recebeu a encomenda de uma pintura do Governo do Rio Grande do Sul para ornar o Palácio do Governo. Daí resultou o quadro “Expedição à Laguna” –  representação pictórica sobre uma passagem importante da Farroupilha – em virtude do qual foi contemplado com a grande medalha de ouro na Exposição do Salão Oficial da ENBA de 1916. Ainda neste ano, foi reconduzido ao cargo de professor catedrático de desenho figurado da mesma instituição. No ano seguinte, apresentou-se novamente em Porto Alegre, com a tela “Catequese”. Os anos de 1918 e 1919 se mostraram profícuo em exposições para  Lucílio de Albuquerque, estando presente em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Campos (RJ) e em Recife (PE). Em 1920, alcançou novamente a distinção da medalha de ouro do Salão Oficial da ENBA, em razão da obra “Retrato de Georgina” – manifestação axiomática da profundidade da relação entre o pintor e sua esposa.

 

 

 

 

Em 1921, foi designado para uma missão oficial de intercâmbio artístico sob a chancela do Itamaraty, encaminhando-se a Buenos Aires (Argentina), onde obteve sucesso numa exposição. Dois anos depois, foi contratado para ornamentar o teto de dos salões Maioria e Minoria do Palácio Pedro Ernesto – à época, edifício do Conselho Municipal do Distrito Federal; atualmente, prédio da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O ano de 1924 foi fundamental em sua trajetória, pois sua estadia na Bahia, acompanhada de uma exposição, marcou uma transformação na sua técnica artística.

 

 

 

 

Esta nova fase criativa e prática se plasmou na obra “Rua da Bahia”, posta à mostra no Salão Internacional de Los Angeles (Estados Unidos) em 1926. No ano seguinte, expôs no Museu Roerich, em Nova York (Estados Unidos). Obteve, em 1929, o prêmio Estímulo de 1000 pesos no Salão Internacional de Rosário (Argentina), onde apresentou o quadro “Trecho do Rio”. No mesmo ano, expôs na Academia Brasileira de Letras, ao lado de Georgina de Albuquerque, Quirino Campofiorito, Alberto da Veiga Guignard, Antônio Parreiras e Nair de Teffé. Em 1931, houve nova exposição no Rio de Janeiro, afora outra no Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, com pinturas de retratos dos generais Manuel Pinto Bandeira e José de Abreu – expoentes militares na consolidação territorial do Rio Grande do Sul.

 

 

 

 

Em 1935, seu quadro “Grande circo” foi exposto no Salão Internacional de Pittsburgh (Estados Unidos). Sua grande proximidade com a temática histórica sulista se evidenciou uma vez mais na composição da obra “Farrapos” – uma alegoria artística à Farroupilha. Nesta pintura, adquirida pela ENBA, estão representados Bento Gonçalves – iniciador do movimento de 1835 –, Antônio Sousa Neto – proclamador da República Rio-Grandense e da independência da província em 1836 – e David Canabarro – espada farroupilha que, em 1845, assinou a Paz de Poncho Verde. Neste mesmo ano, foi nomeado para o Conselho Técnico da ENBA.

 

 

 

 

Em janeiro de 1937,  Lucílio de Albuquerque foi designado diretor da ENBA, cargo em que permaneceu até março de 1938. O curto espaço de tempo na direção da instituição se deveu a problemas de saúde, que o obrigaram, inclusive, a se mudar do bairro de Icaraí, em Niterói (RJ), onde residira desde 1912, para o  bairro de Laranjeiras, no então Distrito Federal, de modo a estar mais próximo das atividades profissionais. Pintou seu autorretrato oito dias antes de falecer, o que ocorreu em 19 de abril de 1939, aos 61 anos. 

 

 

 

 

A residência do casal em Laranjeiras foi transformada por sua esposa no Museu Lucílio de Albuquerque, onde Georgina atendia pessoalmente os visitantes interessados na vida e na obra do artista. Nesse sentido, Georgina de Albuquerque manteve suas atividades profissionais e artísticas, paralelamente às infatigáveis ações para a preservação e a divulgação da obra de seu marido.

 

 

 

 

CRONOLOGIA

 

 

 

 

1877 – Nasce na atual cidade de Barras, no Piauí, em 09 de maio; filho do desembargador Alcebíades Dracon de Albuquerque Lima e de Filomena Figueiredo de Albuquerque.

 

 

 

 

1896 – Ingressa na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, como aluno livre.

 

 

 

 

1901 – Ingressa na Escola Nacional de Belas Artes como aluno matriculado.

 

 

 

 

1902 – Obtém, no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, menção honrosa de 2º grau, com o quadro “Stella”.

 

 

 

 

1904 – Obtém, no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, menção honrosa de 1º grau, com o quadro “Retrato”.

 

 

 

 

Obtém a Medalha de Prata como aluno.

 

 

 

 

1905 – Obtém, com o quadro “Pigmalião e Galateia”, medalha de ouro como aluno.

 

 

 

 

1906 – Em janeiro, terminando o curso da Escola Nacional de Belas Artes, obtém por concurso o prêmio de viagem à Europa, por cinco anos, com a composição “Anchieta escrevendo o poema à Virgem”, nos dias de hoje pertencente ao Museu D. João VI (EBA/ UFRJ).

 

 

 

 

Em fevereiro, faz uma exposição em São Paulo.

 

 

 

 

Em 31 de março, casa-se com Georgina de Moura Andrade.

 

 

 

 

Em 02 de abril, parte com a esposa para a Europa, em gozo do prêmio de viagem de estudo.

 

 

 

 

1907 – Obtém a grande medalha de prata no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, com o quadro “Agnus Dei”, comprado por um cidadão dos EUA.

 

 

 

 

1908 – Expõe em Paris no Salon des Artistes Français o quadro “A la campagne”, pertencente hoje à Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 

 

 

 

1909 – Expõe no Salon des Artistes Français o quadro “Agnus Dei”.

 

 

 

 

1910 – Expõe no Salon des Artistes Français o quadro “Rapariga do Minho”.

 

 

 

 

1911 – Expõe no Salon Internationel de Bruxelles o quadro “Despertar de Ícaro”, adquirido em seguida pelo Museu Nacional de Belas Artes, além da tela “A flor e o regato”.

 

 

 

 

Expõe no Salon des Artistes Français o quadro “Sono”, oferecido pelo autor ao Museu Nacional de Belas Artes.

 

 

 

 

Projeta os vitrais do Pavilhão Brasileiro da Exposição Internacional de Turim.

 

 

 

 

Faz, em agosto, na Escola Nacional de Belas Artes, a sua exposição quando do retorno da Europa.

 

 

 

 

Em outubro, é nomeado professor temporário de desenho figurado da Escola Nacional de Belas Artes.

 

 

 

 

1912 – Obtém a pequena medalha de ouro no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes com o quadro “Despertar de Ícaro”.

 

 

 

 

1913 – Designado membro da comissão organizadora do Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, criando nele as “horas de arte”.

 

 

 

 

1914 – Faz uma exposição em Porto Alegre, recebendo do governo do Rio Grande do Sul a encomenda do quadro histórico “Expedição à Laguna”.

 

 

 

 

1915 – Faz uma exposição em São Paulo.

 

 

 

 

1916 – É reconduzido como professor catedrático de desenho figurado da Escola Nacional de Belas Artes.

 

 

 

 

Faz outra exposição em São Paulo.

 

 

 

 

Obtém a grande medalha de ouro do Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, com o quadro “Expedição à Laguna”, propriedade do Palácio do Governo do Rio Grande do Sul.

 

 

 

 

1917 – Realiza nova exposição em Porto Alegre.

 

 

 

 

Apresenta, no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, a composição “Catequese”, atualmente pertencente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP).

 

 

 

 

1918 – Apresenta exposições em Campos e São Paulo.

 

 

 

 

1919 – Apresenta, no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, a composição “Primeiros frutos”, de propriedade da Prefeitura Municipal de São Paulo.

 

 

 

 

Faz exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

1920 – Realiza exposição em Recife

 

 

 

 

No Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, obtém a grande medalha de honra com o quadro “Retrato de Georgina”, hoje sob a custódia do Museu do Ingá (MHAERJ).

 

 

 

 

1921 – É posto à disposição do Ministério das Relações Exteriores para ir à Argentina em missão oficial de intercâmbio artístico, tendo nessa ocasião realizado uma exposição em Buenos Aires.

 

 

 

 

1923 – Apresenta uma exposição em São Paulo.

 

 

 

 

1924 – Expõe na Bahia. A estadia neste local marca uma fase de evolução transformadora de sua arte e técnica de pintura.

 

 

 

 

Expõe no Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes a composição “Bilac”.

 

 

 

 

1925 – Faz uma exposição no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

No Salão Oficial da Escola Nacional de Belas Artes, apresenta a composição “A bênção divina”, doada pelo pintor à Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

1926 – Expõe no Salão Internacional de Los Angeles.

 

 

 

 

Realiza exposição em São Paulo.

 

 

 

 

1927 – Expõe no Museu Roerich, em Nova York.

 

 

 

 

1929 – Apresenta exposição no Salão Internacional de Rosario, obtendo o prêmio Estímulo, de 1.000 pesos.

 

 

 

 

Faz uma exposição em Petrópolis, na Embaixada Americana.

 

 

 

 

Expõe em Porto Alegre.

 

 

 

 

1931 – Realiza uma exposição no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

Cria, para o Museu Júlio de Castilhos, de Porto Alegre, os retratos dos generais Manoel Pinto Bandeira e José de Abreu.

 

 

 

 

1935 – Faz uma exposição no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

É nomeado membro do Conselho Técnico Administrativo da Escola Nacional de Belas Artes.

 

 

 

 

Expõe no Salão Internacional do Instituto Carnegie, de Pitsburgh.

 

 

 

 

1936 – Realiza uma exposição em São Paulo.

 

 

 

 

1937 – Passa a diretor em exercício em exercício da Escola Nacional de Belas Artes, tomando posse em janeiro.

 

 

 

 

1938 – Em março, deixa a Direção da Escola Nacional de Belas Artes, por motivos de saúde.

 

 

 

 

1939 – Vem a falecer em 19 de abril.